Racionamento de energia: mudar comportamento de consumo pode ajudar a evita-lo?

Nas últimas duas semanas, o tema recorrente em todos os noticiários vem sendo a alta possibilidade de apagões de energia elétrica. Embora essa reflexão possa ser reproduzida integralmente também ao risco de racionamento de água, neste momento vamos enfocar na questão da energia, onde os dados à disposição trazem um entendimento mais firme.

A recente queda de luz que afetou o sudeste, semana passada, ressuscitou o fantasma do inesquecível apagão de 2001, evento que deixou lembranças nada agradáveis, tanto aos políticos (considerando que este ano ainda temos eleição) quanto à população, que neste verão ainda se ressente de estar vivendo as temperaturas mais altas em décadas.

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Mas, voltemos aos noticiários: além de abordar os riscos de cortes, racionamento e blecautes, fala-se muito sobre algo pelo qual primo e entendo ser fundamental – a mudança de comportamento das pessoas no consumo de energia. Os representantes dos governos, das empresas de distribuição e experts são unânimes em afirmar que a solução pelo grave momento pelo qual vivemos passa pelo consumidor se conscientizar e mudar seus hábitos.

Mas, como faremos isso?

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A intensa publicização do assunto, a agressividade das temperaturas de janeiro e fevereiro, e os eventuais cortes e quedas de luz já podem sim provocar reações no comportamento de consumo das pessoas. Mas, será que isso será o bastante?

Primeiro, precisamos entender o contexto.

O segmento Residencial (os outros são Industrial, Comercial e Outros – iluminação e prédios públicos, escolas, hospitais, etc.) é pelo terceiro ano seguido o que mais aumenta o consumo. O mercado nacional como um todo cresceu 6,13% em 2013, comparado com 20121. Vamos, então, analisar o que acontece nas casas das pessoas.

Em agosto do ano passado, elaborei em texto publicado no Mercado Ético2 que o consumo de energia no segmento Residencial cresce em virtude de quatro fatores, que operam tanto isoladamente como criando efeito de interdependência. São eles: 1) o aumento das temperaturas do começo de 2013, comparado com 2012; 2) a progressiva ascensão social das classes D e E, principalmente (adquirindo mais itens aos quais antes não tinham acesso); 3) o incentivo ao consumo proporcionado com a redução de encargos incidentes sobre a conta de luz, decidida pelo Governo Federal no final de 2012 e implementada em janeiro de 2013; e 4) o advento de novas tecnologias, todas energo dependentes, como tablets, smartphones e outros gadgets, que, além de individualmente consumirem energia para seu funcionamento, estão consolidando o hábito chamado “multi telas”, no qual as pessoas manipulam vários desses equipamentos simultaneamente.

Assim, o que temos é um contexto onde todos os vetores do mercado empurram a demanda de energia para cima. Mas, qual a implicância disso?

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Nossa recente experiência em desenvolver ações que promovam mudanças de hábitos e comportamentos de consumo de energia indica que a eficácia de programas com este propósito passa por dois fatores: prover condições para que a população entenda e absorva o conhecimento (informação sobre como economizar energia e tempo para que assimilem o aprendizado). Obviamente a qualidade nessas técnicas é fundamental, mas os elementos basilares são esses, e precisam ser observados. Ainda que o fator financeiro (pagar menos nas contas de luz) seja preponderante, é fato que a consciência sobre a preservação dos recursos está emergindo. Falta instrumentalizar a ação desses moradores. Ao final, uma das maiores contribuições à educação ambiental que estamos oferecendo é a perspectiva que o sucesso dessas iniciativas deve ser medido não pela economia gerada no consumo de recursos, e sim quanto que a ação evita que a demanda cresça.

Assim, a resposta que oferecemos hoje é que os a mudança de hábitos pode desempenhar um papel importante no atual momento. Desde que as pessoas sejam instrumentalizadas para a ação, além de motivadas na causa.

A priori, esse movimento deveria ser permanente, já que a educação ambiental é algo que veio para ficar, e o papel do poder Público em fomenta-la não deve ser menosprezado.fig 5

  1. Fonte: EPE – Empresa de Pesquisa Energética, acessado em 14/02/2014, às 13:35. http://www.epe.gov.br/mercado/Paginas/Consumomensaldeenergiael%C3%A9tricaporclasse(regi%C3%B5esesubsistemas)%E2%80%932011-2012.aspx
  2. Fonte: HomeCarbon, publicado em 30 de Agosto de 2013, http://www.mercadoetico.com.br/arquivo/por-que-estamos-consumindo-mais-energia/


Gostei bastante de conhecer a ferramenta e acho a proposta inovadora. Os mercados atuais tem uma grande demanda de ferramentas de TI e podem ser aplicadas para melhoria contínua de todos os setores. Parabéns a Home Carbon.

Pesquisadora, UNIFEI-MG, participante do Webinar sobre Como ferramentas inteligentes podem incrementar programas de Eficiência Energética e Hídrica

Uma boa ferramenta para apresentação e esclarecimento de temas relevantes a área de energia.

Engenheira, AES Eletropaulo, participante do Webinar sobre Como ferramentas inteligentes podem incrementar programas de Eficiência Energética e Hídrica

Acredito que destacar a importância de pequenas ações para buscar melhorias foram muito válidas, que é possível minimizar o comportamento em relação ao consumo excessivo com pequenas melhorias criando boas perspectivas e obtendo resultados satisfatórios.

Eletrocar - Centrais Elétricas de Carazinho S.A., participante do Webinar sobre Planejando ganhos de projetos comportamentais de Conservação de Energia e Água.

É importante ter ações como essas para a difusão das melhores práticas.

Gerente, Eletrobrás Alagoas, participante do Webinar sobre Planejando ganhos de projetos comportamentais de Conservação de Energia e Água.

Muito interessante. Um ótimo canal de comunicação para divulgação temas importantes como água e energia.

Educador de ESCO, participante do Webinar sobre Perdas comerciais (“Gatos”) de Energia Elétrica e Água.

Muito interessante a oportunidade de ter novas experiências na organização. Em 1 hora e meia de forma prática e sem custo.

Gestora comercial, CERTAJA Energia, participante do Webinar sobre Tarifa Social de Energia Elétrica e comportamento de consumo - Meios de adequar a necessidade (e desejo) de consumo à renda.

Conteúdo pertinente à nossa realidade. Oportunidade ímpar para aprimorarmos os nossos projetos. Concluímos que no outro lado do mundo, os problemas são semelhantes aos nossos.

Analista, Eletrobrás Rondônia, participante do Webinar sobre Tarifa Social de Energia Elétrica e comportamento necessidade (e desejo) de consumo à renda.

O conteúdo foi abordado de maneira muito interessante e rica em dados e experiência.

Engenheira de Estudos e Planejamento, CEMAR - Companhia Energética do Maranhão, participante do Webinar sobre Tarifa Social de Energia Elétrica e comportamento de consumo - Meios de adequar a necessidade (e desejo) de consumo à renda.

Ótimo tema, diretamente associado às melhorias que visamos para a conservação dos recursos naturais.  Ressalta abordagens de diferentes culturas e a aceitação de cada uma perante à situação apresentada. Excelente foco em eficiência energética.

Eletrocar - Centrais Elétricas de Carazinho S.A., participante do Webinar sobre Tarifa Social de Energia Elétrica e comportamento de consumo - Meios de adequar a necessidade (e desejo) de consumo à renda.

Importância da disseminação de conhecimentos, sem limite de distancia. Esperamos por mais seminários. Foi muito relevante e agregou valor aos nossos conhecimentos.

Analista, Eletrobrás Rondônia, participante do Webinar sobre Planejando ganhos de projetos comportamentais de Conservação de Energia e Água